segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"Houve tempo, segundo sir George H. Darwin, em que a lua esteve muito próxima da Terra. Foram as marés que pouco a pouco a impeliram para longe: as marés que a própria Lua provocava nas águas terrestres e com as quais a Terra vai perdendo lentamente a energia."*

Toda vez que eu leio essa frase penso em tudo que fazemos e que afastam as pessoas da gente. Ou no tanto de coisa que as pessoas fazem para nos afastar delas. São tantas as variações que as vezes eu nem consigo imaginar...

As vezes a gente vê alguém  na rua e nunca mais esquece. "Tipo paixão de adolescente?", perguntou um amigo um dia desses. E eu respondi que sim, e acontece muito depois da adolescência. Tem gente que a gente conhece e vira melhor amigo do dia pra noite. Desses eu tenho um bom punhado. Vai ver que é o poder da lua na minha vida, tipo um super poder, de atrair e ser atraída por um certo tipo de gente. De gente boa mesmo.

E tem aquele tipo de gente que vem na nossa vida e passa muito tempo. Tanto tempo que você acha que vai ficar pra sempre. Um dia, sem mais nem menos, essa pessoa se vai. E a gente nem falta sente. Sem mais nem menos médio, né? Pq a gente sempre sabe pq alguém chega e pq alguém vai.

Tem aquelas pessoas que te encantam e ficam. Seja por um gesto, por uma palavra, pela companhia na conversa ou no silêncio. Aquelas pessoas que de longe te mandam uma energia tão boa que vc sente e sabe que ela está do seu lado.

Tem então, pra contrapor, pq eu acredito que a vida é feita de equilíbrio, aquelas pessoas que afastam a gente. Muitas vezes não é a intenção delas nem a nossa vontade. E é tão difícil aceitar que tem gente que a gente gosta e que não nasceu pra fazer parte da nossa vida. Que as atitudes dela só te fazem não querer estar perto. Tipo a lua provocando marés que lentamente minguam a energia da Terra e a afasta.

A gente fica triste pq queria que elas ficassem, se dependesse da cabeça. Mas coração não tem dono e manda embora quem não tem que estar junto. E se a gente força ficar junto, machuca, fere. Não é pra ser. Então a gente tem que reconhecer e abrir mão. Deixa as pessoas-lua se afastarem, cultiva as pessoas-sol que vem pra brilhar, aquecer, iluminar. Abre mão de quem tira a sua energia, dá valor pra quem te enche de vontade de viver.

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* Introdução em As Cosmicômicas, de Italo Calvino