sexta-feira, 6 de julho de 2018

Junho começou cheio de desafios e, ao mesmo tempo, com duas emoções fortes e conflitantes. Se deparar com mudanças pode deixar a gente amedrontado. Pensar no futuro sem certezas é inquietante. Gera uma ansiedade meio do mal, insegurança. Por outro lado, a quantidade de oportunidades que uma mudança traz é imensa. A possibilidade de trilhar novos caminhos é sempre refrescante quando a vida está meio morna. 

E assim começou o que seria o meu inferno astral. Um caminho aberto pela frente e nenhuma idéia do que fazer como ele. Milhões de possibilidades e muitas duvidas. A gente cresce sendo cobrado por resultados, certezas, carreira, progresso, realização, e quando para no meio ou não consegue se enxergar como vencedor nessa corrida maluca da vida, pode bater uma frustração. Ou não.

Me esforcei pra não cair no buraco negro da ansiedade, que muitas vezes já me pegou de jeito. Viver é a coisa mais difícil que existe e ninguém sabe direito como fazer isso. Então a gente precisa escolher como lidar com esse presente, as vezes divino as vezes de grego, que é a vida. Decidi viver hoje, não com a irresponsabilidade de não pensar no amanhã, mas com o comprometimento de aproveitar o que eu tenho agora me preparando para estar mais forte quando o amanhã chegar. 

O que para muitos deveria ser o período de inferno astral foi, pra mim, um mês de uma incrível leveza e felicidade. Uma paz que não sentia há muito tempo. A esperança de um ano novo que começa, um novo ciclo que trará muito coisas, umas boas e outras ruins, mas que será vivido intensamente. Que venha o ano 36! 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sobre se acostumar

Dizem que o tempo cura tudo. Eu tento acreditar nisso, eu realmente quero acreditar nisso, mas não consigo. Posso dizer que o tempo faz a gente se acostumar, isso faz.

A primeira vez pra tudo é um mar de descobertas. Descobertas boas e ruins. A gente aprende a lidar com as novidades até elas não serem mais tão novas. Aprende a conviver com situações, pessoas e sentimentos que uma vez nos foram alheios mas que agora nos acompanham. E a gente acostuma. A gente sempre acaba se acostumando com qualquer coisa, boa ou ruim. E a partir do momento que elas começam a fazer parte da nossa vida, a gente vai parando de prestar atenção que elas existem.

Aí tem aqueles dias que chegam. As vezes são dias específicos mas na maioria das vezes é apenas um dia ordinário. Um dia comum quado você acorda e aquilo com o que você achava que tinha se acostumado começa a incomodar. Como um sapato ou uma roupa apertada que você usa sempre mas em um determinado momento incomoda tanto que você só quer tirar o mais rápido possível. Mas essas marcas que acontecem na nossa vida não podem ser tiradas e jogadas pra cima. Elas estão lá, como uma tatuagem na pele que por mais que a gente tente apagar, sempre vai estar naquele lugar. Como uma cicatriz que a gente só lembra num dia frio quando dói. Mas aí quando dói não tem como ignorar. A gente finge que ignora mas não consegue.

O bom é que com o tempo até com isso a gente aprende a lidar. E com o tempo essas máculas viram sentimentos de estimação. E a gente se acostuma a não estar acostumado com tudo, se é que isso faz sentido.


sábado, 29 de julho de 2017

O medo te move ou te paralisa?

Você já parou pra pensar em tudo o que você faz ou deixa de fazer na vida por medo?

Hoje eu li dois textos, um sobre como o ser humano é condicionado a sentir medo através dos estímulos que recebe - e como isso é uma resposta instintiva e inconsciente, e outro sobre o medo social, aquele que te impede de agir como gostaria e te faz perder oportunidades.

Aí esse assunto ficou martelando na minha cabeça e então eu lembrei dessa frase, o titulo do texto, que eu escrevi há um tempo num arroubo de filosofia facebooquiana. Medo é algo natural, do simples receio ao pânico, mas alguma coisa na maneira como estamos nos comportando nos tem deixado cada vez mais sensíveis a ele. E o pior, àquele medo irracional de algo que não se sabe o que é e que ainda assim paralisa a sua vida. É um mal da vida moderna, dizem, e isso me assusta.

Eu vejo as pessoas envelhecendo e aumentando a sua coleção de medos, tendo medo por si e pelos outros e me esforço todos os dias para não entrar para este grupo. De alguma maneira nós associamos ser destemido com ser jovem. Outra coisa curiosa é que nós também usamos o medo para educar as crianças. Acho que daí vem essa ligação entre juventude e medo, quando uma pessoa passa a conhecer o mundo começa a ter medos e amadurece. Não que eu concorde com isso, mas acho que essa é uma visão possível.

Não existe como fazer essas analises e paralelos sem pensar na própria vida. Eu tive uma criação bem complexa, o que foi muito bom e rico. De um lado o cultivo do medo do que os outros vão pensar, do que não se pode fazer por causa disso e mais a série especial para meninas de como uma mocinha deve se comportar. Por outro lado uma liberdade incrível de tomar decisões baseadas na minha capacidade intelectual - e isso desde muito cedo mesmo - além do lema que eu aprendi provavelmente antes ainda de começar a escrever e uso como guia na minha vida: "Se você quer pode. Se não quer, não pode. Agora, sempre enfrente as consequências dos seus atos".

De alguma maneira eu fui ensinada refletir sobre o medo e não aceita-lo prontamente, mas não sei explicar como. O que não quer dizer de maneira nenhuma que eu não o sinta, pelo contrário, minha geração foi criada para sentir o medo social do julgamento alheio e isso não tem como sair da gente. A diferença que talvez possa ser apontada é a maneira como a mim esse medo não paralisa, move. Como esse medo horroroso que as vezes se apodera da gente vira, de repente, um desafio. Como ao invés de deixar de fazer as coisas por medo, a atitude é exatamente oposta e o medo vira o motivo pelo qual as coisas são feitas, meio que pra ver no que aquilo vai dar. Uma maneira de testar os próprios limites e, quem sabe, conseguir um pouco de adrenalina. Falando assim até parece um pouco doentio e vai ver que as vezes é. Algo do tipo "caçadores de emoções". 

O que parece ser uma pessoa destemida, no final, é aquela pessoa que enfrenta os medos de maneira racional. Não é a loucura de se colocar em situações de perigo, não podemos nos confundir. Não sei se isso nasce com a gente, se isso é ensinado na nossa criação ou se vem das experiências que vamos colecionando na nossa vida. Talvez um pouco dos três. O que eu sei é que sentir medo é normal, o que fazemos com isso é que é a chave da questão. 

E pra você, o medo te move ou te paralisa?

sábado, 1 de julho de 2017

vale pensar
sempre
na diferença
entre
incentivo e cobrança

pras crianças
e
sobretudo
pros adultos

você é quem
incentiva
ou quem
cobra?

para.
pensa.

incentivo poder ser bom
cobrança não

e a linha que divide os dois é muito tênue

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Está frio. Os pés estão gelados mas ela tem preguiça de calcar as meias. Preguiça de levantar e descobrir onde estão as meias de dormir. Então esfrega os pés um no outro e espera que uma ora eles fiquem mais quentes. As noites frias são boas. Ela sempre pensa mais nas noites frias. O calor incomoda e quando está muito quente ela não consegue se concentrar. No frio não! No frio ela para quieta e pensa em muitas coisas.

Ela não sabe até que ponto pensar tanto é assim tão bom. Mas no frio ela pode dar jeito com as suas grossas meias de dormir e o casaco modelo vovó que só usa em casa para ver TV. Mesmo estando em casa sozinha ela combina suas meias com a camisola. Ela tem esse hábito estranho de combinar as coisas, mesmo quando ninguém está vendo e não faz nenhum sentido.

O maior problema do frio é que dá sono e preguiça. Ela chega a dormir doze horas seguidas se estiver muito frio. Ela gosta de sair pra rua também com esse clima. Ela gosta de ficar em casa e gosta de ir pra rua. Gosta tanto de um quanto do outro, na mesma proporção. Mas ela não é indecisa, pelo contrário, sabe muito bem do que gosta e do que quer. O negócio é que ela gosta de coisas muito diferentes com a mesma intensidade.

As vezes nem ela consegue lidar com as suas próprias contradições. Dizem que é influencia dos astros, que ela nasceu sob o domínio da lua de um lado e do sol do outro. Eu não sei se é verdade, mas ela acredita nos astros. Se você perguntar ela vai te dar uma longa explicação científica sobre o assunto e talvez depois disso você acredite também.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A maior lição que se pode tomar da vida é que mudar não só é permitido como necessário. A gente nasce uma tela em branco e nossos pais, nossa família, a escola e os amigos vão pintando essa tela. No começo somos todos muito crus pra escolher o que receber ou não, então absorvemos o mundo sem restrições, sem filtro. A sociedade cria em série seres iguais com pequenas diferenças e cabe a nós escolhermos a partir de um determinado momento da vida entre duas opções: aceitar o que lhe foi imposto, as regras, os conceitos e preconceitos, ou então lutar para mudar. Mudar a mentalidade retrógrada, mudar o pensamento machista, mudar os preconceitos raciais e culturais. Mas mudar também a nossa maneira de lidar com o outro, perceber a responsabilidade das nossas ações e dos nossos discursos. Exercitar a empatia.

Eu escolhi mudar. Eu escolhi tentar ser melhor. Eu digo tentar pq ter empatia por alguém com quem vc não se identifica é muito difícil, mas te digo, é completamente possível. Não dá certo o tempo todo mas posso garantir que essa escolha me proporciona algo precioso que muitos almejam e poucos realmente conseguem: felicidade. Por causa dessa habilidade que eu desenvolvi, eu consegui viver coisas que poucas pessoas viveram, ter experiências dignas dos mais belos romances.

Uma outra coisa que eu aprendi na vida, é que ela testa a gente o tempo todo. Mas esses testes não são para saber se vc aguenta o rojão, são para te deixar mais forte, mais esperto. Em alguns momentos ser empático pode parecer ser ingênuo, mas não é. Flexível ou talvez um pouco mais crente da capacidade das pessoas de serem amáveis, gentis, pode ser. Pq o ser empático procura isso. E aí a pessoa parece eventualmente ingênua. Não vamos confundir, por favor. 

Então chega um momento, aquele momento em que você se pergunta se vale a pena. Você se pergunta se não é melhor tratar o mundo como ele trata você. Se não é hora de deixar de pensar no outro e ser mais egoísta. Mas o teste tá aí, tá na dúvida, pq viver de certeza não funciona. Pq estar sempre certo é chato. E ninguém está sempre certo. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O dia nasce friozinho e nem dá vontade de levantar da cama. Ela dá aquela enrolada e aperta a soneca do celular umas três vezes. Vira pra um lado, vira para o outro. O cachorro já está inquieto querendo levantar mas ela quer aproveitar aqueles últimos minutos na cama. São sempre os melhores antes do dia começar. Ela pensa nos seus sonhos, no que se lembra deles. As vezes são sonhos bons, outras vezes não. As vezes são tão reais que dá medo!

O sol de inverno aquece pouco mas alegra de manhã. Pelo menos ajuda a levantar. Ela já levanta pensando no que vai vestir. Que dia da semana é hoje? Quais os planos para o dia? Da ultima vez que saiu de salto alto e voltou tarde as costas doeram muito. Já não está acostumada a usar saltos. E teve uma época que não saia de casa sem eles. 

O café da manhã virou a parte mais agradável da rotina matinal. Ela prepara sua comida enquanto brinca com o cachorro. Ele fica o dia todo sozinho e ela se sente culpada por isso, mas sabe que não tem muito o que fazer. Ela espera que seja verdade que a memória dos cachorros é curta, mas não tem tanta certeza. O cachorro está ficando velho e ela tem medo do que vai acontecer mas tenta não pensar muito nisso.

Calçar os sapatos é sempre a ultima coisa antes de sair. Ela não gosta de sapatos e sempre que possível anda descalça. Algumas pessoas acham graça, ela acredita que não usar sapatos é o máximo de liberdade que se pode ter. Ela calça os sapatos e sai de casa. O dia começa.