É como um vicio. As palavras me chamam. Eu passo na porta e não resisto. Eu entro e me perco naquele mundo de histórias, reais ou não, caminhos, possibilidades.
"Você está fugindo?"
" Não, eu estou me encontrando"
Em cada história, em cada mundo eu descubro uma parte de mim. Em cada relato um novo significado, uma nova maneira de ver as coisas. E eu sigo no meu vício de viver tantas vidas de uma só vez.
terça-feira, 21 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Pra sempre
Era final do ano, na época do reveillon. A gente estava em casa assistindo a um show de David Bowie pela milésima vez naquelas férias. Tava tocando Heroes. E a gente cantou e dançou. E colocou em looping. E cantou e dançou mais. E eu me sentia feliz, talvez mais feliz do que eu jamais tinha me sentido em toda a vida. Naquele momento eu soube o que era felicidade plena. E por algum motivo isso me fez chorar. Eu chorei muito, forte. Eu soluçava. E ele me abraçava e não sabia o que estava acontecendo. Eu também não sabia. Eu acho que naquela hora eu tive o meu felizes para sempre. Aquela foi a hora em que o mundo parou só pra gente ser feliz. Mas o pra sempre não existe e de alguma forma eu sabia disso naquele momento, por isso as lágrimas. Eu não estava triste, eu só não queria que aquele momento acabasse, eu queria parar o tempo naquele instante pra sempre. Mas o pra sempre não existe. Eu queria reviver aquele momento em looping como a música.
terça-feira, 31 de maio de 2016
Eu sempre me lembro como você bagunçava tudo na hora de dormir. Como conseguia deitar no meio da cama e ocupar todo o espaço. E eu nunca brigava sério com você por isso. Ainda bem que a nossa cama é grande. Eu me lembro de como eu te abraçava e passava o meu braço por baixo do seu. E de como ficávamos juntinhos pra Nina não entrar no meio, mas ela sempre dava um jeito... Eu lembro do seu ronco suave que embalava meu sono, e dos mais fortes que as vezes me acordavam. E de como eu fazia eles passarem com carinho. E eu lembro que você roubava meu cobertor, meu travesseiro e sempre parecia se divertir com isso. E depois fingia dormir e segurava bem forte pra eu não pegar de volta. Quantas vezes eu precisei levantar pra procurar outra coberta. Eu lembro como você acordava com frio e me pedia pra te esquentar com a barriga quente. Às vezes você reclamava que eu acordava quente demais. E eu te abraçava e te esquentava, que nem naquele filme. E quando você já estava bem quentinho de novo eu levantava. E eu voltava pra dar tchau umas três vezes antes de sair pq deixar você sempre foi a parte mais difícil de sair da cama.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
A pior saudade é aquela do que não aconteceu. Pq uma boa lembrança sempre traz bons sentimentos junto, e isso é muito gostoso. Pensar no passado não é ruim, não faz mal, até revigora, dá gás pra seguir em frente. Mas existe essa saudade do que a gente não fez e essa dói.
Planejar é sonhar acordado e sonhar é bom. Quando a gente concretiza um plano então é ainda melhor. Pq melhor que sonhar é viver o sonho na vida real. E gente planeja, pensa no futuro, é natural.
Aí a vida acontece. Pq a vida está sempre pregando peças na gente. Seria bom se pudéssemos sempre viver de acordo com os nossos sonhos, mas não dá. A vida acontece e vira tudo de cabeça pra baixo. E a vida que a gente planejou já não é possível. O sonho que a gente sonhou vai ficar na memória, mas só isso. Por isso essa saudade do que a gente não viveu dói tanto, pq a gente cria expectativa, vive e revive o sonho. E gente não sonha só, não planeja só, não vive só. A gente escolhe nossos pares, pessoas que combinam com a gente e dividem os nosso sonhos. Pq não tem graça sonhar sozinho. E vem a peça da vida pra bagunçar, pra acabar com o futuro que a gente planejou. E a gente eventualmente cria novos sonhos, novos planos, mas eles não apagam os que vieram antes. Esses vão estar sempre ali, pq foram uma possibilidade um dia. E a dor vem com a lembrança do que podia ter sido e não foi.
Planejar é sonhar acordado e sonhar é bom. Quando a gente concretiza um plano então é ainda melhor. Pq melhor que sonhar é viver o sonho na vida real. E gente planeja, pensa no futuro, é natural.
Aí a vida acontece. Pq a vida está sempre pregando peças na gente. Seria bom se pudéssemos sempre viver de acordo com os nossos sonhos, mas não dá. A vida acontece e vira tudo de cabeça pra baixo. E a vida que a gente planejou já não é possível. O sonho que a gente sonhou vai ficar na memória, mas só isso. Por isso essa saudade do que a gente não viveu dói tanto, pq a gente cria expectativa, vive e revive o sonho. E gente não sonha só, não planeja só, não vive só. A gente escolhe nossos pares, pessoas que combinam com a gente e dividem os nosso sonhos. Pq não tem graça sonhar sozinho. E vem a peça da vida pra bagunçar, pra acabar com o futuro que a gente planejou. E a gente eventualmente cria novos sonhos, novos planos, mas eles não apagam os que vieram antes. Esses vão estar sempre ali, pq foram uma possibilidade um dia. E a dor vem com a lembrança do que podia ter sido e não foi.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Em uma palestra um dia desses o palestrante, um rapaz mais ou menos da minha idade, se mostrou indignado em relação a um comercial direcionado ao chamado homem homem. Ele se sentiu insultado por que os homens eram tratados como um único grupo, sem diferenças. Ele disse que nem conseguia falar muito no assunto de tão irritado que tinha ficado com aquela generalização. Juro que nesse momento meu queixo chegou na altura do umbigo e minha boca foi mais rápida que o meu senso crítico, que muitas vezes me impede de entrar em discussões que não vão levar a lugar nenhum. Dei uma resposta curta e direta que acho que teve algum impacto, pois ninguém conseguiu rebater meus argumentos. Abaixo está uma versão estendida, do que ainda ficou entalado na garganta:
Meu caro amigo, e todos os demais homens que se sentem insultados com propagandas machistas, acostume-se, foi o que me ensinaram. Eu me acostumei desde muito pequena com o que as meninas devem usar, como devem se comportar e como devem parecer através das propagandas. Aliás, as propagandas generalizam e ditam o comportamento socialmente aceitável das mulheres desde os seus primórdios. Não importa que eu tenha sofrido e achado injusto não me encaixar nesses padrões. Ninguém se importa com a minha opinião, assim como não se importa com a sua. No seu dia a dia não tem explosões e fugas em moto? No meu não chovem pétalas de rosas e nem por isso eu faço cena diante de uma platéia me fazendo de injustiçada. Quando homem reclama é fofo pq ele é sensível, quando a mulher reclama é mimimi feminazi. Nós sempre tivemos dois pesos e duas medidas, está na hora de equalizar isso, e nós mulheres precisamos apontar como esse comportamento do homem vítima insultado pela propaganda é ridículo. Se ninguém falar, ninguém vai saber. Muitas vezes você mesmo não percebe o tamanho da besteira que está falando pq também foi criado como eu, num mundo onde a opinião do homem é mais importante do que a da mulher. O buraco, amigo, é muito mais embaixo. Me desculpa se eu acho esse tipo de propaganda que coisifica o homem enriquecedora, mas pra mim á uma grande justiça poética. Eu acredito que a gente só aprende o que não fazer com os outros quando percebe que não gosta quando fazem com a gente. Não precisava chegar nesse ponto se houvesse empatia e as pessoas se colocassem umas no lugar das outras. Pensa nisso antes de se colocar nessa posição constrangedora.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Cansaço, recomeço e a Fênix
Quando a gente sai do mundo da gente pra um mundo novo, tudo muda. A nossa maneira de ver as coisas, de lidar com as coisas, a maneira como os outros nos vêem, o nosso comportamento. Tudo muda mesmo.
Mudanças são legais mas são difíceis. Manter a própria identidade durante um grande turbilhão é mais difícil do que parece. Mesmo pra quem gosta das mudanças. Eu gosto muito. É difícil também conviver com as inseguranças das mudanças. Com o que falta, com o que sobra, com as novidades.
Depois de uma imersão em mim mesma, procuro de volta a superfície. Uma identidade perdida, escondida, meu lugar no mundo. Eu preciso lembrar que ele existe. As vezes eu acho engraçado como a insegurança vem com o tempo e não o contrário. Acho que muitas vezes nós temos muito mais certeza quando não sabemos quantas coisas podem dar errado.
Hoje eu decidi buscar coisas novas. Não mudanças, novidades. Eu esqueci como é bom ver o mundo como se fosse a primeira vez. Eu esqueci como é bom aproveitar os pequenos prazeres. A gente cresce e esquece de experimentar a vida. Não quero essa vida adulta, da rotina sem graça, de viver empurrando com a barriga pra chegar no próximo mês, de pagar as contas e esperar para pagar de novo.
Parece clichê mas eu adoro a história da fênix. Essa coisa de renascimento dá esperança, faz a gente pensar que é possível. Eu sempre acho que é possível, mas as vezes a gente cansa. E é esse cansaço que leva pro próximo nível, que faz a gente ver que tem que começar de novo. Por que a vida é isso, né? Começa e recomeça e recomeça. Até que um dia termina, mas eu acho que ainda estou longe do fim.
Mudanças são legais mas são difíceis. Manter a própria identidade durante um grande turbilhão é mais difícil do que parece. Mesmo pra quem gosta das mudanças. Eu gosto muito. É difícil também conviver com as inseguranças das mudanças. Com o que falta, com o que sobra, com as novidades.
Depois de uma imersão em mim mesma, procuro de volta a superfície. Uma identidade perdida, escondida, meu lugar no mundo. Eu preciso lembrar que ele existe. As vezes eu acho engraçado como a insegurança vem com o tempo e não o contrário. Acho que muitas vezes nós temos muito mais certeza quando não sabemos quantas coisas podem dar errado.
Hoje eu decidi buscar coisas novas. Não mudanças, novidades. Eu esqueci como é bom ver o mundo como se fosse a primeira vez. Eu esqueci como é bom aproveitar os pequenos prazeres. A gente cresce e esquece de experimentar a vida. Não quero essa vida adulta, da rotina sem graça, de viver empurrando com a barriga pra chegar no próximo mês, de pagar as contas e esperar para pagar de novo.
Parece clichê mas eu adoro a história da fênix. Essa coisa de renascimento dá esperança, faz a gente pensar que é possível. Eu sempre acho que é possível, mas as vezes a gente cansa. E é esse cansaço que leva pro próximo nível, que faz a gente ver que tem que começar de novo. Por que a vida é isso, né? Começa e recomeça e recomeça. Até que um dia termina, mas eu acho que ainda estou longe do fim.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Super Nova
Hoje eu estava transbordando de mim. Não é algo que acontece com frequência, não ultimamente pelo menos, mas aconteceu hoje. De algum lugar veio alguma coisa, uma falta, um ponto vazio no fundo de não sei onde. E daquele buraco negro, que antes sugava tudo ao seu redor, explodiram as emoções em uma super nova delirante e descontrolada.
Há muito ando no modo de espera, cultivando a arte de colecionar desejos. Então a gente tenta mover montanhas, lutar contra moinhos e construir torres que chegam no céu para poder falar com Deus. Mesmo sabendo que muita gente antes já fez tudo isso. E que nada disso nunca deu certo. A gente tenta. E corre atrás. E mais uma vez luta por tudo o que deseja. E luta e cultiva e cuida até não poder mais.
Até a hora que a gente cansa e tudo volta. E parece que tudo que a gente colocou ali volta regurgitando como um ralo desentupindo o caminho. Parece que o trabalho todo foi perdido desde o início. Até que tudo se acalma e a bagunça que parecia que ia se instalar se transforma numa nova ordem. E a única coisa que você precisa é se acostumar com a maneira como as coisas estão agora.
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