domingo, 29 de agosto de 2021

As coisas começam. E as coisas acabam também. O fim é quase sempre triste, mesmo aqueles esperados. Mesmo quando sabemos que vai acontecer. Os finais de ciclos nos fazem perceber a transitoriedade da vida. Isso as vezes é bom e as vezes é ruim. Saber que algo que não nos agrada pode acabar é um alento, mas saber que algo bom também pode acabar, é sofrido. A melhor parte dos finais é que eles também são novos começos. As vezes não pra gente, não com a gente. Finais muitas vezes são despedidas. São momentos de deixar o outro ir. O outro ser outro sem você. E não ser na vida do outro o que você já foi pode dar um vazio. Mas daí aparecem outros outros. Outras coisas. Novidades. Hoje precisei lidar com mais um fim. Um entre montes que ainda virão. Estou triste pelo fim. E feliz por tudo que aconteceu antes dele acontecer. 

Era uma quinta feira, o dia raiava e nós fazíamos planos. Novas experiências, novos lugares para ir e algumas coisas já conhecidas para reviver. Estávamos felizes. Éramos felizes. Não sabíamos que em menos de vinte e quatro horas estaríamos mortos, eu num sentido figurado, ele não.

Eu me lembro vagamente do dia em que eu morri. Alguns detalhes são vívidos, mas são flashes, memórias que eu não tenho tanta certeza se aconteceram ou se eu inventei. O se fantasiei as verdadeiras memórias para me aliviar, me torturar ou me acalentar, dependendo do momento. A minha sorte foi morrer um pouco antes, enquanto ele ainda vivia, na hora que eu percebi o que estava acontecendo. Na hora que eu entendi cruamente o que é a solidão. Ele me dizia, “todo mundo é só”. Eu entendi naquele momento. Estávamos os dois no mesmo quarto daquela manhã, juntos como naquela manhã, mas não mais acompanhados. Estávamos cada um sozinho no seu sofrimento. E nenhum dos dois podia fazer nada pelo outro. E ninguém mais no mundo podia fazer nada por nós dois. 


Em algum momento uma chave desligou. Eu não sei precisar exatamente quando, mas aconteceu. Como quando a gente senta na própria perna e ela adormece. Aí a gente vai levantar e não sente aquela perna. Não adianta beliscar, bater ou arranhar. Não dá pra sentir muita coisa. E essa fui eu por um longo período. Quanto mais os dias passavam mais cruel comigo eu me tornava, tentando a cada momento sentir alguma coisa, sentir um pouco mais. 


O curioso da dormência é que você não sabe quando vai passar. No início a gente cutuca, belisca. No final está enfiando uma agulha pra ter certeza que aquele pedaço do seu corpo ainda vive. Por fora o dedo parece muito bem, mas só você sabe que tem alguma coisa errada. 


Não sei dizer direito também quando a minha vida voltou. Na verdade, não sei dizer ainda se ela realmente voltou, com tudo já. O que eu sei é que os indícios de que ela está voltando estão aparecendo aos poucos. As distâncias estão diminuindo, as pequenas alegrias voltando. Está tudo diferente mas está tudo bem. Não acho que eu voltarei a sentir as coisas da mesma maneira de antes, o que eu acredito ser uma benção. 


Qual o ponto de morrer e voltar a vida se é pra tudo continuar como era antes? 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Ao meio dia é completamente dia.
À meia noite é completamente noite.
No resto do dia existe uma gradação entre as horas claras e escuras, que não são nem completamente dia nem completamente noite. Existem muito mais dessas num dia inteiro.

O branco é luz pura.
O preto é a ausência de luz.
Qualquer coisa entre o preto e o branco pode ser luz ou sombra, iluminar ou escurecer. Existem muito mais variações de luz entre o branco e o preto do que a luz total ou a escuridão total.

Nós temos 3 cores primárias e apenas 3.
Amarelo, vermelho e azul.
Dessas três cores derivam todas as opções infinitas de cor de um arco-iris. Existe uma infinidade de tons e cores e matizes que não podem ser definidas como as três cores primárias.

Já imaginou como ia ser o mundo se ele fosse dual, extremo, sem gradações nem variáveis?
Já imaginou viver num lugar onde não existe o nascer e o por do sol? Aquele momento em que não é dia nem noite, claro nem escuro, com uma infinidade de cores no céu?


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Era uma vez uma garota e, como todas as garotas, essa era especial. Como todas as garotas ela era única e linda, mas ninguém nunca disse isso pra ela, então ela cresceu achando que era muito menos do que realmente era. Cresceu achando que era feia, incapaz. Cresceu achando que era inferior e que todo seu esforço, toda sua beleza deveria ser validada pelos garotos. Ela cresceu acreditando que eram eles que sabiam das coisas, que eles tinham o poder.

Essa garota cresceu e se tornou uma mulher ainda mais linda e mais especial, mas ainda não sabia disso. Ela havia passado sua vida inteira, até esse momento, usando sua inteligência para enriquecer os homens, sua beleza para encanta-los, seu corpo para lhes dar prazer, sua bondade para cuidar das suas almas. Pq foi esse o papel que ensinaram que deveria ser cumprido. Pq lhe disseram que se ela quisesse ser amada deveria servir aos homens. Quem sabe isso a tornasse especial algum dia.

E ela continuou cuidando de suas casas, suas empresas e seus filhos. Realizando seus desejos. Alimentando suas fantasias de poder e superioridade. Ela continuou servindo pq acreditava que assim, um dia, seria merecedora de todo o amor, carinho e dedicação que havia dispensado aos outros durante a vida.

Um dia essa mulher encontrou uma bruxa. E depois disso a vida dela não foi mais a mesma.
Primeiro a bruxa lhe deu um espelho. E assim ensinou essa menina, garota, agora mulher, a se olhar e se conhecer de verdade. A amar seu corpo, todas as partes. A ver com amor tudo que diziam que era feio. E então ela começou a se achar bonita.

A bruxa então lhe ensinou o que cada parte do seu corpo poderia lhe proporcionar. Força, destreza, prazer. Ela não tinha consciência da complexidade daquele corpo. Ela não conhecia o potencial que ele tinha. E ao descobrir tudo isso ela começou a se sentir forte.

A bruxa lhe trouxe livros. E conversou sobre diversos assuntos, assuntos que antes só diziam respeito aos homens. E elas trocaram ideias. Ela aprendeu muito com a bruxa. E então ela começou a perceber como era inteligente.

Até que um dia a bruxa a chamou para conversar. Contou como estava orgulhosa dela, de suas conquistas. E então contou tudo que havia aprendido com ela no tempo que passaram juntas. Foi aí que ela começou a se sentir especial.

A mulher voltou pra casa diferente nesse dia. E sentiu pena dos homens que dependiam dela pra tudo. Os homens que foram ensinados que, por serem tão especiais, não precisavam aprender a se cuidar. E percebeu que, assim como ela, eles não eram felizes. Não eram felizes pq sabiam que, no fundo, o amor que ela dispensava a eles não era genuíno, era uma obrigação.

Então com tudo que aprendeu com a bruxa e com tudo que aprendeu consigo mesma ela começou a ensinar os homens. E, aos poucos, deixou de  fazer tudo que lhe disseram que faria os homens a amarem. E fazia isso por ela, não por eles. Fazia isso para ser livre.

E os homens estavam ansiosos para aprender pq, mesmo sendo cômodo ter a mulher lá pra fazer tudo por eles, eles perceberam que ela já não os amava da mesma maneira. E eles queriam voltar a ser amados. Então fizeram tudo que ela queria que eles fizessem.

Até que chegou o dia em que eles já sabiam de tudo e não restava mais nada que ela pudesse ensinar a eles. Ela os chamou e contou como estava orgulhosa deles. E eles lhe agradeceram por ela torná-los livres. Nesse dia ela começou a se sentir amada.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Culpa, combustível da vida moderna

Você acorda de manhã e aperta o botão da soneca. Mas você foi dormir cedo, deveria estar bem disposta!! Já não tem TV no quarto, a luz é controlada, nem muito pra o corpo não ter problemas em pegar no sono, nem pouco pra o corpo ir percebendo o dia nascer e acordar melhor. O colchão está dentro dos padrões, os travesseiros novos por causa dos ácaros e muitos pra suportarem braços, coluna e o escambau. Você dormiu bem as 8 horas necessárias de sono, tem um app pra monitorar seus movimentos e saber se o sono estava bom mesmo. Ainda assim acordou sem disposição!!! Culpa!!

Agua com limão antes do café e antes de escovar os dentes, pode danificar o esmalte se for depois. No café da manhã 3 tipos de frutas (vitaminas), tapioca (não tem glúten) e queijo (lactose - culpa!). O café com leite podia ser com óleo de coco mas não desce esse negócio (culpa). Toma todas as capsulas de antes, durante e depois das refeições. Pega o almoço que agora você cozinha pq assim sabe o que está comendo. Sai de casa correndo pra não chegar atrasada. Na verdade você sempre tenta sair uns 10 minutos antes por causa do transito, mas nem sempre dá né? A culpa de chagar atrasada, mesmo que de vez em quando, é grande, mesmo não saindo para o almoço, mesmo saindo depois do horário.

Tem aula hoje. Você está cansada, o dia foi puxado. Não deu pra dar atenção pra todo mundo na hora que eles precisavam, culpa de não dar conta. Mesmo você sabendo que estão te perguntando  só pra receber um pouco de atenção. Culpa por não dar a atenção que os outros precisam quando eles precisam. Você tenta responder todos as mensagens mas nem sempre dá, as vezes demora, culpa pq você demorou de dar aquele feed back pro cliente chato que de alguma maneira arrumou o seu celular e não tem hora pra te mandar mensagem. Culpa pq vc deveria ter lembrado que o sistema não está funcionando direito e na hora de fazer alguma solicitação deveria ter mandado pelo sistema, pelo email e ainda pentelhado o supervisor, just in case. Você vai pra aula querendo ir pra casa dormir. E assiste a aula pq está pagando por isso, não pq está aproveitando isso. Culpa por gastar tanto dinheiro e não estar aproveitando as aulas como deveria.

No outro dia tem academia!!! Aí você ouve da sua amiga: "Queria ter a sua disposição de ir pra academia nesse frio!" Não é disposição, é culpa. Pq quando aquela calça aperta vc lembra de todos os dias que faltou. Pq quando olha no espelho e acha que a bunda tá mole, lembra dos agachamentos não feitos. Pq quando não recebe aquela mensagem que estava esperando de volta, já pensa que é por causa da pancinha que se instalou por causa da esteira que você anda com preguiça de fazer. Culpa por não ser tão magra quanto as outras no Instagram. Culpa pq mesmo quando não está no controle, de alguma maneira, você tem alguma culpa.

Se você fosse perfeita, não sentiria culpa. Nunca!!! Mas você não é e se sente culpada. E a culpa te move, te faz chegar no horário, comer bem, ir pra academia, estudar, cuidar da casa, deixar tudo arrumado. Mas não é o suficiente, não ainda. Você ainda tá longe do seu objetivo. Vamos lá, vamos alimentar a culpa. E a culpa alimenta você. Será que um dia você consegue viver sem ela?

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Junho começou cheio de desafios e, ao mesmo tempo, com duas emoções fortes e conflitantes. Se deparar com mudanças pode deixar a gente amedrontado. Pensar no futuro sem certezas é inquietante. Gera uma ansiedade meio do mal, insegurança. Por outro lado, a quantidade de oportunidades que uma mudança traz é imensa. A possibilidade de trilhar novos caminhos é sempre refrescante quando a vida está meio morna. 

E assim começou o que seria o meu inferno astral. Um caminho aberto pela frente e nenhuma idéia do que fazer como ele. Milhões de possibilidades e muitas duvidas. A gente cresce sendo cobrado por resultados, certezas, carreira, progresso, realização, e quando para no meio ou não consegue se enxergar como vencedor nessa corrida maluca da vida, pode bater uma frustração. Ou não.

Me esforcei pra não cair no buraco negro da ansiedade, que muitas vezes já me pegou de jeito. Viver é a coisa mais difícil que existe e ninguém sabe direito como fazer isso. Então a gente precisa escolher como lidar com esse presente, as vezes divino as vezes de grego, que é a vida. Decidi viver hoje, não com a irresponsabilidade de não pensar no amanhã, mas com o comprometimento de aproveitar o que eu tenho agora me preparando para estar mais forte quando o amanhã chegar. 

O que para muitos deveria ser o período de inferno astral foi, pra mim, um mês de uma incrível leveza e felicidade. Uma paz que não sentia há muito tempo. A esperança de um ano novo que começa, um novo ciclo que trará muito coisas, umas boas e outras ruins, mas que será vivido intensamente. Que venha o ano 36! 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sobre se acostumar

Dizem que o tempo cura tudo. Eu tento acreditar nisso, eu realmente quero acreditar nisso, mas não consigo. Posso dizer que o tempo faz a gente se acostumar, isso faz.

A primeira vez pra tudo é um mar de descobertas. Descobertas boas e ruins. A gente aprende a lidar com as novidades até elas não serem mais tão novas. Aprende a conviver com situações, pessoas e sentimentos que uma vez nos foram alheios mas que agora nos acompanham. E a gente acostuma. A gente sempre acaba se acostumando com qualquer coisa, boa ou ruim. E a partir do momento que elas começam a fazer parte da nossa vida, a gente vai parando de prestar atenção que elas existem.

Aí tem aqueles dias que chegam. As vezes são dias específicos mas na maioria das vezes é apenas um dia ordinário. Um dia comum quado você acorda e aquilo com o que você achava que tinha se acostumado começa a incomodar. Como um sapato ou uma roupa apertada que você usa sempre mas em um determinado momento incomoda tanto que você só quer tirar o mais rápido possível. Essas marcas que acontecem na nossa vida não podem ser tiradas e jogadas pra cima. Elas estão lá, como uma tatuagem na pele que por mais que a gente tente apagar, sempre vai estar naquele lugar. Como uma cicatriz que a gente só lembra num dia frio quando dói. Mas aí quando dói não tem como ignorar. A gente finge que ignora mas não consegue.

O bom é que com o tempo até com isso a gente aprende a lidar. E com o tempo essas máculas viram sentimentos de estimação. E a gente se acostuma a não estar acostumado com tudo, se é que isso faz sentido.


sábado, 29 de julho de 2017

O medo te move ou te paralisa?

Você já parou pra pensar em tudo o que você faz ou deixa de fazer na vida por medo?

Hoje eu li dois textos, um sobre como o ser humano é condicionado a sentir medo através dos estímulos que recebe - e como isso é uma resposta instintiva e inconsciente, e outro sobre o medo social, aquele que te impede de agir como gostaria e te faz perder oportunidades.

Aí esse assunto ficou martelando na minha cabeça e então eu lembrei dessa frase, o titulo do texto, que eu escrevi há um tempo num arroubo de filosofia facebooquiana. Medo é algo natural, do simples receio ao pânico, mas alguma coisa na maneira como estamos nos comportando nos tem deixado cada vez mais sensíveis a ele. E o pior, àquele medo irracional de algo que não se sabe o que é e que ainda assim paralisa a sua vida. É um mal da vida moderna, dizem, e isso me assusta.

Eu vejo as pessoas envelhecendo e aumentando a sua coleção de medos, tendo medo por si e pelos outros e me esforço todos os dias para não entrar para este grupo. De alguma maneira nós associamos ser destemido com ser jovem. Outra coisa curiosa é que nós também usamos o medo para educar as crianças. Acho que daí vem essa ligação entre juventude e medo, quando uma pessoa passa a conhecer o mundo começa a ter medos e amadurece. Não que eu concorde com isso, mas acho que essa é uma visão possível.

Não existe como fazer essas analises e paralelos sem pensar na própria vida. Eu tive uma criação bem complexa, o que foi muito bom e rico. De um lado o cultivo do medo do que os outros vão pensar, do que não se pode fazer por causa disso e mais a série especial para meninas de como uma mocinha deve se comportar. Por outro lado uma liberdade incrível de tomar decisões baseadas na minha capacidade intelectual - e isso desde muito cedo mesmo - além do lema que eu aprendi provavelmente antes ainda de começar a escrever e uso como guia na minha vida: "Se você quer pode. Se não quer, não pode. Agora, sempre enfrente as consequências dos seus atos".

De alguma maneira eu fui ensinada refletir sobre o medo e não aceita-lo prontamente, mas não sei explicar como. O que não quer dizer de maneira nenhuma que eu não o sinta, pelo contrário, minha geração foi criada para sentir o medo social do julgamento alheio e isso não tem como sair da gente. A diferença que talvez possa ser apontada é a maneira como a mim esse medo não paralisa, move. Como esse medo horroroso que as vezes se apodera da gente vira, de repente, um desafio. Como ao invés de deixar de fazer as coisas por medo, a atitude é exatamente oposta e o medo vira o motivo pelo qual as coisas são feitas, meio que pra ver no que aquilo vai dar. Uma maneira de testar os próprios limites e, quem sabe, conseguir um pouco de adrenalina. Falando assim até parece um pouco doentio e vai ver que as vezes é. Algo do tipo "caçadores de emoções". 

O que parece ser uma pessoa destemida, no final, é aquela pessoa que enfrenta os medos de maneira racional. Não é a loucura de se colocar em situações de perigo, não podemos nos confundir. Não sei se isso nasce com a gente, se isso é ensinado na nossa criação ou se vem das experiências que vamos colecionando na nossa vida. Talvez um pouco dos três. O que eu sei é que sentir medo é normal, o que fazemos com isso é que é a chave da questão. 

E pra você, o medo te move ou te paralisa?

sábado, 1 de julho de 2017

vale pensar
sempre
na diferença
entre
incentivo e cobrança

pras crianças
e
sobretudo
pros adultos

você é quem
incentiva
ou quem
cobra?

para.
pensa.

incentivo poder ser bom
cobrança não

e a linha que divide os dois é muito tênue

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Está frio. Os pés estão gelados mas ela tem preguiça de calcar as meias. Preguiça de levantar e descobrir onde estão as meias de dormir. Então esfrega os pés um no outro e espera que uma ora eles fiquem mais quentes. As noites frias são boas. Ela sempre pensa mais nas noites frias. O calor incomoda e quando está muito quente ela não consegue se concentrar. No frio não! No frio ela para quieta e pensa em muitas coisas.

Ela não sabe até que ponto pensar tanto é assim tão bom. Mas no frio ela pode dar jeito com as suas grossas meias de dormir e o casaco modelo vovó que só usa em casa para ver TV. Mesmo estando em casa sozinha ela combina suas meias com a camisola. Ela tem esse hábito estranho de combinar as coisas, mesmo quando ninguém está vendo e não faz nenhum sentido.

O maior problema do frio é que dá sono e preguiça. Ela chega a dormir doze horas seguidas se estiver muito frio. Ela gosta de sair pra rua também com esse clima. Ela gosta de ficar em casa e gosta de ir pra rua. Gosta tanto de um quanto do outro, na mesma proporção. Mas ela não é indecisa, pelo contrário, sabe muito bem do que gosta e do que quer. O negócio é que ela gosta de coisas muito diferentes com a mesma intensidade.

As vezes nem ela consegue lidar com as suas próprias contradições. Dizem que é influencia dos astros, que ela nasceu sob o domínio da lua de um lado e do sol do outro. Eu não sei se é verdade, mas ela acredita nos astros. Se você perguntar ela vai te dar uma longa explicação científica sobre o assunto e talvez depois disso você acredite também.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A maior lição que se pode tomar da vida é que mudar não só é permitido como necessário. A gente nasce uma tela em branco e nossos pais, nossa família, a escola e os amigos vão pintando essa tela. No começo somos todos muito crus pra escolher o que receber ou não, então absorvemos o mundo sem restrições, sem filtro. A sociedade cria em série seres iguais com pequenas diferenças e cabe a nós escolhermos a partir de um determinado momento da vida entre duas opções: aceitar o que lhe foi imposto, as regras, os conceitos e preconceitos, ou então lutar para mudar. Mudar a mentalidade retrógrada, mudar o pensamento machista, mudar os preconceitos raciais e culturais. Mas mudar também a nossa maneira de lidar com o outro, perceber a responsabilidade das nossas ações e dos nossos discursos. Exercitar a empatia.

Eu escolhi mudar. Eu escolhi tentar ser melhor. Eu digo tentar pq ter empatia por alguém com quem vc não se identifica é muito difícil, mas te digo, é completamente possível. Não dá certo o tempo todo mas posso garantir que essa escolha me proporciona algo precioso que muitos almejam e poucos realmente conseguem: felicidade. Por causa dessa habilidade que eu desenvolvi, eu consegui viver coisas que poucas pessoas viveram, ter experiências dignas dos mais belos romances.

Uma outra coisa que eu aprendi na vida, é que ela testa a gente o tempo todo. Mas esses testes não são para saber se vc aguenta o rojão, são para te deixar mais forte, mais esperto. Em alguns momentos ser empático pode parecer ser ingênuo, mas não é. Flexível ou talvez um pouco mais crente da capacidade das pessoas de serem amáveis, gentis, pode ser. Pq o ser empático procura isso. E aí a pessoa parece eventualmente ingênua. Não vamos confundir, por favor. 

Então chega um momento, aquele momento em que você se pergunta se vale a pena. Você se pergunta se não é melhor tratar o mundo como ele trata você. Se não é hora de deixar de pensar no outro e ser mais egoísta. Mas o teste tá aí, tá na dúvida, pq viver de certeza não funciona. Pq estar sempre certo é chato. E ninguém está sempre certo. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O dia nasce friozinho e nem dá vontade de levantar da cama. Ela dá aquela enrolada e aperta a soneca do celular umas três vezes. Vira pra um lado, vira para o outro. O cachorro já está inquieto querendo levantar mas ela quer aproveitar aqueles últimos minutos na cama. São sempre os melhores antes do dia começar. Ela pensa nos seus sonhos, no que se lembra deles. As vezes são sonhos bons, outras vezes não. As vezes são tão reais que dá medo!

O sol de inverno aquece pouco mas alegra de manhã. Pelo menos ajuda a levantar. Ela já levanta pensando no que vai vestir. Que dia da semana é hoje? Quais os planos para o dia? Da ultima vez que saiu de salto alto e voltou tarde as costas doeram muito. Já não está acostumada a usar saltos. E teve uma época que não saia de casa sem eles. 

O café da manhã virou a parte mais agradável da rotina matinal. Ela prepara sua comida enquanto brinca com o cachorro. Ele fica o dia todo sozinho e ela se sente culpada por isso, mas sabe que não tem muito o que fazer. Ela espera que seja verdade que a memória dos cachorros é curta, mas não tem tanta certeza. O cachorro está ficando velho e ela tem medo do que vai acontecer mas tenta não pensar muito nisso.

Calçar os sapatos é sempre a ultima coisa antes de sair. Ela não gosta de sapatos e sempre que possível anda descalça. Algumas pessoas acham graça, ela acredita que não usar sapatos é o máximo de liberdade que se pode ter. Ela calça os sapatos e sai de casa. O dia começa.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Aprender a lidar com a perda está sendo uma das coisas mais difíceis na minha vida até hoje. Como tudo aconteceu de maneira tão repentina, o susto foi tremendo. E o choque também. Um dia está tudo bem e no outro não está mais, as coisas acontecem fora de nosso controle e a gente não sabe como agir, o que fazer. Então a primeira reação é voltar a ter o controle da vida. É querer controlar tudo, os sentimentos, as ações e reações. Já te adianto, não dá. E quem falar o contrário está mentindo. A gente pensa que dá, acha que está indo bem, até que algum detalhe sai do planejado, e aí parece que o mundo está acabando. Você passa bem por um inferno e desaba por causa de um detalhe. Tipo aquele ditado, engole o sapo e engasga com o mosquito. É isso que acontece.

Além de tudo, isso acontece em ciclos. Como um copo que vai enchendo até derramar. A gente não escolhe a hora que vai cair a ultima gota, aquela derradeira que transforma uma situação controlada no caos, mas ela vem. E pode ser tão insignificante que ninguém vai entender o que está acontecendo. Você passa facilmente por maluca. O negócio é se cercar de pessoas que se importam. Isso faz a diferença, faz toda a diferença. Por que o copo esvazia mas enche de novo. Seu copo vai ficando maior, a capacidade de passar pelos problemas vai aumentando, mas eventualmente eles aparecem e a perda de controle é inevitável. A gente não aprende a não perder o controle, aprende o que fazer quando isso acontece.

Até aprender, no entanto, a gente bate cabeça. A gente não aceita conselho, não aceita ajuda. Pq acha que não precisa. Pq acha que tem que se virar sozinho. Pq tem medo de deixar alguém entrar, te ajudar, fazer parte, e então perder de novo. A gente cria pavor da ideia de perder. Pq é sofrido. Pq perder quem a gente ama dói, como se tirassem um pedaço de você. E você não quer passar por isso de novo, então a melhor maneira de evitar essa situação é evitar se apegar. Mas quem já tentou fazer isso sabe que não é assim que as coisas funcionam. A gente quer que as coisas sejam sempre racionais, mas nunca são.

E como faz?, você pode perguntar. De verdade, eu não sei. E admitir que não se sabe o que vai acontecer sem surtar já é um grande passo. Pq é admitir que não existe como controlar o futuro, é admitir nossa fraqueza e transformar ela na nossa força. E dá certo? Também não sei. Espero que sim, torço para que essa seja a resposta. Pode ser ou pode não ser. E a gente segue tentando, pq não tem como conseguir sem tentar.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Sabe, eu nunca pensei que precisaria aprender a viver sem você. Mas tem umas coisas que a gente não pode prever e acontecem do nada, deixam a gente sem rumo. É isso, eu fiquei sem rumo. Na hora a cabeça gira a mil, eu só queria poder fazer alguma coisa, que me levassem no seu lugar. Você que amava tanto a vida, ter ela tirada assim tão cedo, me parecia tão injusto. Ainda me parece. Mas depois eu comecei a pensar em tudo que eu senti naquele momento e aceitei. Não sei se eu conseguiria suportar a ideia de você sofrer como eu estava sofrendo. Taí uma coisa que eu não desejo pra ninguém, por pior que seja a pessoa. Pq na vida os amores vem e vão, os relacionamentos acabam e isso dói mas é normal. A gente sempre conversou muito sobre isso. Mas você não era só meu namorado, meu marido, era muito mais do que isso. Era meu melhor amigo, meu confidente, meu companheiro. Talvez a única pessoa do mundo a quem eu confiaria minha vida de olhos fechados. Não só pq você me queria bem, mas pq vc me conhecia melhor que ninguém.

Eu acho que estou indo até bem, se a gente pensar na maneira como tudo aconteceu. Durante um tempo eu não queria deixar nada do que era seu, espalhei fotos pela casa. Mas ver isso todo dia me doía muito e aí eu tirei tudo. Guardei as fotos. Tentei não pensar. Dá certo por um tampo até não dar mais. Mudei tudo de lugar dentro de casa, mudei os móveis. Nosso quarto virou o meu quarto, não tem nada mais de antes lá. Não conseguiria viver no nosso quarto sem você. Então eu fiz de tudo pra seguir em frente. Eu tô tentando, acho que tô conseguindo, de verdade.

Mas de vez em quando volta. Eu passei até bem seu aniversário, sabia? Os amigos ajudam mesmo quando eles nem sabem que estão ajudando. De uma maneira meio torta eu tô compartimentalizando e guardando as coisas. Lá no fundo, bem guardado. O problema foi que essa semana começou e eu lembrei daquela nossa ultima semana junto. Que semana boa! Há quanto tempo a gente não se divertia daquele jeito? Desde que você foi pra São Paulo né? Que dias bons foram aqueles.

No final de tudo eu só queria mesmo agradecer por você não ter desistido. E não ter me deixado desistir. Pq as pessoas podiam achar que era fácil mas só nós sabemos o quanto lutamos pra construir nossa vida juntos, né? Você abriu mão de tantas certezas, me escutou quando precisava e mudou pra ficar comigo. E eu também, eu acho. Eu não achava que uma pessoa podia mudar por causa de alguém, sabia? Talvez você tenha feito isso pq eu nunca pedi que você fizesse. Faz sentido? Acho que faz...

Queria dizer também que vai ficar tudo bem, mas eu acho que você sempre soube disso. Esse ultimo ano foi difícil mas eu acho que o tempo vai arrumar tudo. Eu espero, pelo menos.

A despedida é a parte mais difícil. Sempre foi pra gente, né? Lembra que da ultima vez eu fiquei de cama? Fui parar no hospital e tudo. Quem diria que saudade pode dar febre? Disseram que era zika mas era saudade.

Quem sabe um dia a gente se encontra de novo? Não sei se eu acredito ou não, mas não vamos pensar nisso agora.

Te amo, viu?

Bj

quarta-feira, 8 de março de 2017

Sobre o Dia da Mulher

Eu gosto de ser mulher. Não consigo pensar em um aspecto da minha vida de mulher que não me agrade. Muitas vezes paro para pensar como é difícil, desde muito pequena, ter que lutar pelos meus direitos como ser humano. Pq antes de sermos mulheres e homens somos seres com as mesmas necessidades, então essa diferenciação de gêneros sempre foi pra mim uma coisa muito complicada de assimilar.

Ainda criança eu não entendia pq os garotos tinham determinados privilégios apenas por serem garotos. Lutei sempre contra isso sem nem saber o que estava fazendo. Sem saber, cresci militando. Sem saber, cresci lutando pelo meu direito de ser, independente do meu status de ser mulher. Nunca aceitei que o fato de ser mulher pudesse diminuir o fato de ser humano. E ainda não aceito.

Não aceito que eu deva ter um comportamento diferente por ser mulher. Não aceito que eu deva ser tratada de uma maneira diferente por ser mulher. Nem mais bem tratada, nem mais mal tratada. O fato de ser mulher não me faz melhor ou pior. Mas me faz ser mais forte. Pode parecer contraditório mas não é. Nós, mulheres, nunca fomos tratadas como iguais. Sempre foi necessário muito esforço para chegar ao mesmo patamar de um homem, mesmo que as oportunidades tenham sido as mesmas para os dois. A mulher precisa se provar capaz, sempre. O esforço é maior. A recompensa, quase sempre menor.

Então o dia de hoje não se trata de um dia de comemoração. O dia da mulher é um dia de reflexão. É um dia para chamar a atenção sobre a necessidade de existir esse dia. Pq, se fossemos todos iguais, não existiria o dia da mulher. Então, não me dê parabéns. Não diga que me admira por eu ser melhor pois isso não é verdade. Reflita, pense e mude um hábito machista que você ainda tenha, qualquer um. E não digo isso apenas para os homens, digo isso principalmente para as mulheres. 

sábado, 4 de março de 2017

Nos últimos anos poucas foram as datas comemorativas realmente comemoradas. Tínhamos uma maneira nossa de festejar fora do dia, tipo um carnaval fora de época, vai ver que é dessas coisa de ser baiano... No entanto, um dia que realmente era bastante comemorado era o 3/3. Sempre, muito, intensamente. No estilo micareta. Mais um ranço da baianidade, vai ver.

Então chegamos no primeiro 3/3 depois de tudo o que aconteceu. Sexta-feira de cinzas. Resquícios do carnaval. Novos problemas. Novas situações. Novos personagens. Uma vida inteira que ficou pra trás. E uma vida que está recomeçando. 

Tem tristeza. Tem saudade. Tem lembranças. Tem uma mistura de sentimentos que eu nunca vou ser capaz de explicar, independente do quanto eu possa ser boa com as palavras. Mas tem esperanças e tem lições. Tem coisas que eu só sei hoje pq eu aprendi direitinho nos últimos 8 anos. Pq, antes de mais nada, nós convivemos com o maior professor do "como aproveitar a vida" que podíamos ter. E quem soube prestar atenção aprendeu. E essa data sempre foi uma comemoração da vida. Das coisas boas da vida. Por mais triste que possa ser a ausência.

Por amor eu dei a ele a minha vida. E por amor ele a me devolveu quando me mostrou tudo o que eu podia fazer com ela.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Arrependimento. Essa é uma palavra que não faz mais parte do meu vocabulário. Descobri aos trancos e barrancos que o arrependimento mata aos poucos. Que pensar no passado só traz sofrimento e imaginar como as coisas teriam sido se tivéssemos feito algo de forma diferente é mais uma maneira de envenenar a alma. Lembranças são coisas doces que fazem parte da nossa vida e devem ser revisitadas para matar as saudades que sempre nos acompanham, mas só isso. Qualquer fantasia sobre o que poderia ter sido e não foi não vale a pena.

Posso dizer que o ultimo ano foi um intensivão de lições de vida. Aprendi sobre perdas e como lidar com elas. Aprendi que existem várias formas de lidar com carências. E que é normal ficar carente de vez em quando. Aprendi que não tem problema precisar dos amigos e que a melhor maneira de conseguir ajuda é pedindo. E aprendi que não tem pq ter vergonha de admitir que você precisa de ajuda. Aprendi que se pode viver sozinho sem viver na solidão.

Aprendi também que ninguém tem controle da vida e de como ela vai se desenrolar. Que nada do que a gente faça vai mudar o curso do destino. Pq o destino é escrito por milhares de vidas em conjunto e nossa força está em colocar a maior quantidade possível de energia positiva pra fora, pq o mundo devolve, as vezes de maneira meio torta, essas coisas boas pra você.

Aprendi que a maneira como encaramos os desafios mudam a nossa perspectiva da vida. Que chorar de vez em quando faz tão bem quanto sorrir. Que sentimento não existe pra ficar guardado dentro do peito pq ele só existe quando é compartilhado. Aprendi que a felicidade é o objetivo da vida mas que o sofrimento faz parte. E que o sofrimento existe para que possamos dar ainda mais valor para os momentos felizes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Há muitos anos uma amiga me deu um papelzinho dobrado, uma xerox de um texto. Durante muito tempo eu o guardei nos meus tesouros e esqueci que ele existia. Faz um pouco mais de um mês que eu achei esse meu papelzinho, dobrado nas minhas cartas, e lembrei de tudo que aconteceu nesses quase 20 anos que se passaram. De repente aquele texto, que lá trás era bonito mas não tinha tanto significado, hoje fez perfeito sentido. Parece até que, na sua sabedoria e amizade infinita, ela me deixou um recado pra hora que eu mais precisava. E, como ultimamente tem sido tão difícil pra mim usar as minhas próprias palavras, hoje resolvi pegar essas emprestadas:

"Depois de algum tempo você aprende a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas hoje pq o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importe quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la. E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Que bons amigos são a familia que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pesoas que amamos com palavras carinhosas. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmo. Começa a aprender que não se deve se comparar com os outros mas com o melhor que se pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo. E que se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão. Quer ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o necessário fazer, enfrentando as consequencias. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a se levantar.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva tem o direito se estar com raiva mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só pq alguém não o ama do jeito que você quer, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam mas não sabem como demonstrar ou viver isso. 

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você conserte. 

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás."

Verônica Shoffstall

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

E chega o fim do ano. Mais um que acaba, mais outro que começa. E a gente faz um balanço do que foi bom, do que foi ruim, do que podemos levar e do que devemos deixar pra trás. Um ano pode ser um período longo e parecer que durou muito mais tempo, mas ele sempre acaba.

E com o fim do ano chega o novo ano, novas promessas, novas esperanças. Pq nós precisamos de esperança pra seguir em frente. E quando a gente volta pro ano que passou descobre que mesmo as piores experiências podem trazer algum aprendizado. Que buscar sentido na vida não faz muito sentido, mas que nunca deixaremos de fazer isso. Que a felicidade está nos detalhes e depende muito mais da gente do que de todo o resto. Que as boas surpresas acontecem quando a gente menos espera.

E a gente torce para que no próximo ano tudo melhore. A gente torce para que tudo corra bem. Que a gente seja melhor. Que o mundo seja melhor. E mesmo sabendo que nem tudo vai sair conforme o planejado, que junto com as novas esperanças chegam também os novos desafios, a partir da semana que vem teremos mais 365 chances de fazer tudo dar certo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Amigos

Eles estão ali quando você precisa e quando você não precisa também. Pq ser amigo é isso, é estar lá mesmo estando longe. É acompanhar numa festa bacana ou num programa de índio. É receber aquela ligação de madrugada e conseguir manter a calma. É dar amor sem esperar nada em troca. É dar o ombro quando é preciso e dar a bronca quando é necessário. É cuidar. É poder aparecer a hora que for e ser sempre bem vindo. É ouvir uma piada sem noção e fingir que não ouviu. É fazer o outro se sentir bem mesmo quando não está nada bem. É dizer aquilo que salva o dia do outro sem nem saber que fez isso. É pensar no outro só pq você se importa. É abrir mão de coisas legais pra poder dar apoio em horas não muito legais e não se ressentir por isso. É não só aceitar, mas valorizar as diferenças. É dar valor a cada uma dessas coisas e muitas outras.

Em alguns momentos você precisa mais deles. Você sabe que nada daria certo se eles não estivessem ali. Você sabe que não existiria se eles não existissem também. Você descobre com quais pode contar e fica feliz por isso. Você descobre que alguns simplesmente não são o que você pensava que eles fossem e isso é devastador. Mas você aprende muito numa situação de necessidade. Muitas vezes você só percebe a importância deles quando o turbilhão já passou. As vezes você briga com eles mesmo quando eles só querem te ajudar. Nem sempre você pede desculpas por isso, mas não tem problema.

Eu tenho muito poucos desta espécie na minha vida, mas posso dizer também que tenho os melhores. Eu consegui nesses anos fazer uma coleção incrível. Tenho alguns muito novos, outros muito antigos. Todos peças raras das quais eu não abro mão. Sem eles eu não teria chegado onde estou hoje.

O fim de ano traz reflexões, a gente já incorporou a tradição dos fins e recomeços, da criação de novos ciclos. O ano começou difícil e está terminando difícil também e em todo esse tempo eu não estive sozinha. Nesse momento eu percebo o tamanho da gratidão que eu tenho por vocês. Vocês com certeza se reconheceram aqui, eu não preciso citar nomes. Então o que eu queria dizer pra vocês nesse momento é isso: obrigada!