terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Arrependimento. Essa é uma palavra que não faz mais parte do meu vocabulário. Descobri aos trancos e barrancos que o arrependimento mata aos poucos. Que pensar no passado só traz sofrimento e imaginar como as coisas teriam sido se tivéssemos feito algo de forma diferente é mais uma maneira de envenenar a alma. Lembranças são coisas doces que fazem parte da nossa vida e devem ser revisitadas para matar as saudades que sempre nos acompanham, mas só isso. Qualquer fantasia sobre o que poderia ter sido e não foi não vale a pena.

Posso dizer que o ultimo ano foi um intensivão de lições de vida. Aprendi sobre perdas e como lidar com elas. Aprendi que existem várias formas de lidar com carências. E que é normal ficar carente de vez em quando. Aprendi que não tem problema precisar dos amigos e que a melhor maneira de conseguir ajuda é pedindo. E aprendi que não tem pq ter vergonha de admitir que você precisa de ajuda. Aprendi que se pode viver sozinho sem viver na solidão.

Aprendi também que ninguém tem controle da vida e de como ela vai se desenrolar. Que nada do que a gente faça vai mudar o curso do destino. Pq o destino é escrito por milhares de vidas em conjunto e nossa força está em colocar a maior quantidade possível de energia positiva pra fora, pq o mundo devolve, as vezes de maneira meio torta, essas coisas boas pra você.

Aprendi que a maneira como encaramos os desafios mudam a nossa perspectiva da vida. Que chorar de vez em quando faz tão bem quanto sorrir. Que sentimento não existe pra ficar guardado dentro do peito pq ele só existe quando é compartilhado. Aprendi que a felicidade é o objetivo da vida mas que o sofrimento faz parte. E que o sofrimento existe para que possamos dar ainda mais valor para os momentos felizes.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Há muitos anos uma amiga me deu um papelzinho dobrado, uma xerox de um texto. Durante muito tempo eu o guardei nos meus tesouros e esqueci que ele existia. Faz um pouco mais de um mês que eu achei esse meu papelzinho, dobrado nas minhas cartas, e lembrei de tudo que aconteceu nesses quase 20 anos que se passaram. De repente aquele texto, que lá trás era bonito mas não tinha tanto significado, hoje fez perfeito sentido. Parece até que, na sua sabedoria e amizade infinita, ela me deixou um recado pra hora que eu mais precisava. E, como ultimamente tem sido tão difícil pra mim usar as minhas próprias palavras, hoje resolvi pegar essas emprestadas:

"Depois de algum tempo você aprende a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas hoje pq o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importe quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la. E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Que bons amigos são a familia que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pesoas que amamos com palavras carinhosas. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmo. Começa a aprender que não se deve se comparar com os outros mas com o melhor que se pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo. E que se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão. Quer ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o necessário fazer, enfrentando as consequencias. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a se levantar.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva tem o direito se estar com raiva mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só pq alguém não o ama do jeito que você quer, não significa que esse alguém não o ama, pois existem pessoas que nos amam mas não sabem como demonstrar ou viver isso. 

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você conserte. 

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás."

Verônica Shoffstall

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

E chega o fim do ano. Mais um que acaba, mais outro que começa. E a gente faz um balanço do que foi bom, do que foi ruim, do que podemos levar e do que devemos deixar pra trás. Um ano pode ser um período longo e parecer que durou muito mais tempo, mas ele sempre acaba.

E com o fim do ano chega o novo ano, novas promessas, novas esperanças. Pq nós precisamos de esperança pra seguir em frente. E quando a gente volta pro ano que passou descobre que mesmo as piores experiências podem trazer algum aprendizado. Que buscar sentido na vida não faz muito sentido, mas que nunca deixaremos de fazer isso. Que a felicidade está nos detalhes e depende muito mais da gente do que de todo o resto. Que as boas surpresas acontecem quando a gente menos espera.

E a gente torce para que no próximo ano tudo melhore. A gente torce para que tudo corra bem. Que a gente seja melhor. Que o mundo seja melhor. E mesmo sabendo que nem tudo vai sair conforme o planejado, que junto com as novas esperanças chegam também os novos desafios, a partir da semana que vem teremos mais 365 chances de fazer tudo dar certo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Amigos

Eles estão ali quando você precisa e quando você não precisa também. Pq ser amigo é isso, é estar lá mesmo estando longe. É acompanhar numa festa bacana ou num programa de índio. É receber aquela ligação de madrugada e conseguir manter a calma. É dar amor sem esperar nada em troca. É dar o ombro quando é preciso e dar a bronca quando é necessário. É cuidar. É poder aparecer a hora que for e ser sempre bem vindo. É ouvir uma piada sem noção e fingir que não ouviu. É fazer o outro se sentir bem mesmo quando não está nada bem. É dizer aquilo que salva o dia do outro sem nem saber que fez isso. É pensar no outro só pq você se importa. É abrir mão de coisas legais pra poder dar apoio em horas não muito legais e não se ressentir por isso. É não só aceitar, mas valorizar as diferenças. É dar valor a cada uma dessas coisas e muitas outras.

Em alguns momentos você precisa mais deles. Você sabe que nada daria certo se eles não estivessem ali. Você sabe que não existiria se eles não existissem também. Você descobre com quais pode contar e fica feliz por isso. Você descobre que alguns simplesmente não são o que você pensava que eles fossem e isso é devastador. Mas você aprende muito numa situação de necessidade. Muitas vezes você só percebe a importância deles quando o turbilhão já passou. As vezes você briga com eles mesmo quando eles só querem te ajudar. Nem sempre você pede desculpas por isso, mas não tem problema.

Eu tenho muito poucos desta espécie na minha vida, mas posso dizer também que tenho os melhores. Eu consegui nesses anos fazer uma coleção incrível. Tenho alguns muito novos, outros muito antigos. Todos peças raras das quais eu não abro mão. Sem eles eu não teria chegado onde estou hoje.

O fim de ano traz reflexões, a gente já incorporou a tradição dos fins e recomeços, da criação de novos ciclos. O ano começou difícil e está terminando difícil também e em todo esse tempo eu não estive sozinha. Nesse momento eu percebo o tamanho da gratidão que eu tenho por vocês. Vocês com certeza se reconheceram aqui, eu não preciso citar nomes. Então o que eu queria dizer pra vocês nesse momento é isso: obrigada!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Esse eu escrevi no fim de semana e nem sabia que a vida ia me pregar mais uma peça. Hoje, relendo, percebi o quanto se encaixa em toda essa loucura que tem sido o ultimo ano. Um começo incerto mas cheio de esperanças. Um acontecimento abrupto e cruel, que testou todos os limites da minha sanidade. Uma recuperação com altos e baixos, ora tranquila ora desvairada. Uma casca forte que escondeu uma fragilidade quase infantil. Dois anjos que fizeram com que continuar fosse mais que uma obrigação, fosse um dever. E um final que relembra e reforça como o destino nunca é condescendente.
-x-x-x-

Difícil seguir em frente. É sempre difícil deixar pra trás o que agente conhece e experimentar o novo de novo. A gente faz, a gente gosta, mas que é difícil, isso é.

A primeira vez que eu me lembro de deixar tudo para trás por uma vida nova foi há muito tempo. Não foi bem uma escolha, mais uma imposição, mas não são todas as mudanças imposições? Aquela história de não mexer em time que está ganhando é tão verdade. Ninguém muda jogo ganho, é loucura! Até a hora que perde, mas aí já ganhou muito daquele jeito e está na hora de mudar.

As imposições que a gente sofre na vida são muitas. Usa mesmo o termo sofrer imposição? Eu acho que sim, pq uma imposição é quase sempre um sofrimento. O maior problema está na falta da escolha, livre arbítrio. A gente sempre se acha muito dono da nossa vida, do nosso nariz, até que vem uma coisa que não tem controle e pra mim isso é uma imposição. Pode ser do destino, pra quem acredita em destino.

Eu sempre gostei de ter liberdade. Na verdade, a possibilidade de fazer qualquer coisa que se queira pode ser assustadora, mas muitas vezes é o que nos mantém no caminho. Quando você sabe que pode fazer o que quiser mas escolhe fazer de uma determinada maneira, parece tão certo que não dá vontade de mudar. Não existe aquela síndrome da obrigação onde somos impelidos a fazer o que querem que a gente faça mas ficamos secretamente sonhando com a vida que queríamos ter. É lindo viver um sonho.

Eu me considero uma caçadora de sonhos. Diariamente eu busco por coisas que me movam na vida. É muito difícil encontrar pq sonhos não nasceram para serem vividos sozinhos. Sonho só funciona quando é compartilhado. Na verdade encontrar os sonhos não é a parte mais complicada, o pulo do gato está em encontrar um sonho possível, ou melhor, pessoas que possam dividir sonhos com você.

Um sonho pode ser uma amizade, uma oportunidade de trabalho, uma nova ideia ou um amor. Um sonho pode durar uma noite ou uma vida. Pode acabar pq acaba, pq cada um ou um dos dois quis viver outros sonhos, pq já não combina com momento, ficou defasado ou deixou de ser sonho. Pode durar pra sempre também. Pra sempre da vida de alguém ou um pra sempre ainda maior.

Mas antes de tudo vem aquela decisão que você finge que foi sua, mas foi imposta, de seguir a diante. E você pensa que vai ser fácil, descobre que vai ser difícil e chega a conclusão que é impossível. Então, como num passe de mágicas, a vida anda e quando você vê já está vivendo um novo sonho.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Existe um mundo em cada cabeça e nele cada um cria o que quiser. É um mundo particular, fantástico, muitas vezes distorcido. Nesse mundo cada um vê a sua vida de um jeito. Sempre que penso nisso lembro das minhas primeiras aulas de desenho e das lições de como a nossa posição diante das coisas muda a nossa maneira de vê-las. Ponto de vista, baby, perspectiva. Funciona muito bem na parte prática da visão física dos objetos e funciona também na aplicação subjetiva da vida, de uma maneira geral.

Eu só tenho como saber da perspectiva da minha mente e do que ela cria. Eu vivo num mundo louco onde as coisas não são, estão. Num mundo presente onde o passado assombra e o futuro amedronta. Um mundo lindo, gostoso e assustador. Viver o momento é um desafio diário. Um desafio pra quem cria dramas sem sentido por não saber conviver com os dramas reais.

Eu vivo por impulso, fazendo a cada momento o que eu tenho vontade. Isso as vezes é bom e as vezes é ruim. Traz muitos benefícios pq não existe um momento desperdiçado, experimentar a vida sem pensar nas consequências é sempre bom. A parte ruim é que existem consequências e elas vem te mostrar que quem faz o que quer precisa arcar com elas. Mas eu sou tarimbada nessa de arcar com as consequências então continuo absorvendo o mundo como se não houvesse amanhã.

Viver como se não houvesse amanhã. Isso eu aprendi de uma forma especial. Aprendi também que é uma loucura linda. Que pode levar a fins trágicos. Mas que vale a pena. Pq vida a gente só tem uma. E se começar a pensar demais, a gente não faz nada, não vive. E os fins acontecem, tendo a gente aproveitado a vida ou não.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sabe quando a gente cai e rala o joelho? Não adianta ficar passando pomadas, colocando curativos. Há muito tempo, depois de um tombo no meio da rua, joelho ralado no asfalto, ferida daquelas que sangram feito filme de terror, eu descobri que:
- primeiro precisamos esperar a reação do nosso próprio corpo. Cada um tem um tempo de cicatrização e nada vai fazer isso mudar. Simplesmente aceita o tempo do seu corpo e ajuda ele, apara o cascão, não futuca a ferida e espera.
- não é aconselhável abafar a ferida. Ela precisa ficar exposta, respirar. Ferida guardada não cicatriza, ou demora muito mais.

Os ferimentos curam de dentro para fora. A cicatrização acontece num processo próprio e o corpo sabe o que faz pra se regenerar e se curar. Tem cicatriz que ainda dói durante muito tempo, tem outras que fazem você ficar com uma parte do corpo completamente insensível. Isso tudo a gente só sabe depois que o machucado fecha e vira uma marca. Tem uns que somem com o tempo, tem outros que ficam pra sempre pra lembrar do que aconteceu.

E tem que tomar cuidado com o machucado pra não ferir de novo antes da cicatrização completa. Pq aí qualquer arranhãozinho pode parecer uma tragédia. Então toma cuidado pq tem também aquele curativo que a gente acha que vai fazer bem e gruda na ferida e machuca tudo de novo. Não dá certo querer apressar o tempo do seu corpo. Só o que nos resta é relaxar, curtir o molho que a ferida faz a gente passar, cuidar da gente mesmo pq só a gente sabe do que realmente precisa pra ficar confortável enquanto passa por um processo de cura.