segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sorte 2

- Você se acha uma pessoa de sorte?
- Depende...
- Depende de que?
- Do ponto de vista.
- Como assim?
- Depende de como você olha pra cada situação. Eu costumo dizer que eu tenho muita sorte, mas que as vezes ela vem ao contrário.
- Sorte ao contrário é azar?
- Não, sorte ao contrário é sorte, só que ao contrário.
- Azar.
- Eu não acredito em azar.
- Então me explica como a sorte pode vir ao contrário.
- É quando acontece uma coisa ruim pra balancear toda a sorte que você já teve. Dar equilíbrio.
- Tá...
- O problema é que quando você é uma pessoa de muita sorte a coisa ruim costuma ser bem ruim.
- E você acha que ainda assim você tem sorte?
- Claro!!!
- Mas pq?
- Pq a sorte ao contrário não anula a sorte de verdade. Tem gente que nunca passa por uma coisa tão ruim quanto a sorte ao contrário, mas também não experimenta o que é ter a sorte boa.
- Então você diz que vale a pena?
- Vale, o que não quer dizer que seria muito melhor que só existisse a sorte boa.
- Mas você não acha que seria melhor as vezes não passar por coisas boas para não ter que lidar com as coisas ruins?
- Não. Mas a gente não escolhe muito. No final o melhor é colecionar boas energias e a vida se encarrega de como vai gastar elas pra você. Não que eu concorde em como as coisas vem de volta, mas...
- Como assim?
- É viver um pouco a vida como a Poliana, vendo o lado bom e usando isso ao seu favor. Ou então como o MacGyver, usa o que você tem pra conseguir o que você quer. Reclamar é fácil. Desistir é fácil. Seguir em frente é sempre o mais difícil.
- Você nunca fica mau humorada nem desiste?
- Não é assim. As vezes a gente quer dar uma pirada, não é? O segredo está em como você lida com essa vontade.
- E como você faz?
- Primeiro eu sempre respiro. Paro, respiro, penso, analiso a situação e procuro a melhor saída.
- E se não tem saída?
- Eu aceito a sorte, mesmo que ela seja ao contrário.
- Aceita e pronto?
- Se eu não aceitar vai mudar alguma coisa?
- Se é um beco sem saída, acho que não...
- Então eu vou ficar batendo contra a parede em um beco sem saída?
- Não. Mas como você sai desse beco?
- Eu dou a volta e procuro outros caminhos.
- Como você sabe que eles existem?
- Eles sempre existem. Nunca existe só um caminho.
- E como você faz pra encontrar?
- Eu procuro.
- E acha fácil?
- As vezes sim, as vezes não. Mas a graça está em procurar. É assim que você vive as melhores aventuras. A sorte está aí, no risco que você corre quando resolve procurar seus caminhos. As chances de acontecerem coisas boas e ruins é a mesma. Se você se dá a chance de viver esse risco, você vive muita coisa boa e muita coisa ruim, mas vive. Se você quer viver em segurança, pode também, mas escolhas seguras tiram o risco, as recompensas e as agruras do risco. Então sorte é isso, é se colocar numa posição em que pode dar tudo certo e pode dar tudo errado. Você torce sempre pra que de certo, mas as vezes da errado. E você tem que lidar com isso. E, se quer continuar tendo sorte, tem que arriscar a sorte ao contrário também.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Quando as palavras não são o suficiente pra expressar os sentimentos a gente simplesmente guarda.

Quando a gente não sabe se as palavras vão chegar onde a gente quer que elas cheguem, a gente simplesmente aguarda.

Eu não sei até quando essas idéias vão continuar pairando na minha cabeça, eu não sei até quando essa vontade vai continuar na minha vida. Enquanto isso eu espero. Eu espero sinais que me digam se vale a pena continuar ou desistir. Se eu contar tudo, você me diz pra desistir. Pq você não viveu o que eu vivi, você não viu o que eu vi. Nem sentiu o que eu senti. E ainda sinto. Até quando eu não sei.

É engraçado pq eu não queria que isso tivesse acontecido desse jeito. Minha preocupação nunca foi comigo. E fui eu quem se deu mal no fim das contas. Como as coisas chegaram a esse ponto eu não vou saber te dizer. Posso ter inventado tudo na minha cabeça? Com certeza. Eu só espero que não seja esse o caso.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Escrever é um passatempo interessante. As vezes relaxa, as vezes aumenta a angustia. Outras vezes serve para fingir que estamos nos comunicando com quem não podemos mais ver ou falar. Escrever exige muito da imaginação, da memória. Nunca sabemos exatamente quem está lendo o que a gente escreve. Não sabermos se estamos passando a mensagem que gostaríamos. Isso é parte do mistério da comunicação. Nunca podemos ter certeza que a nossa ideia está sendo transmitida sem ruídos.

Escrever é desabafo também. E é arte, por menos artísticas que as nossas palavras sejam. É preciso compor as letras em palavras em frases e tudo tem que fazer sentido. Ou não. Depende do objetivo. O sentido só precisa existir se esse for o objetivo da sua escrita. Tem horas que a ideia é apenas se deixar transbordar pra não explodir com tudo que está dentro da cabeça. Pq o cérebro é uma coisa estranha que junta tudo que a gente vai vendo, um colecionador compulsivo, um acumulador. E se a gente não bota pra fora ele pira. Então a gente escreve pra não pirar.

De vez em quando eu escrevo para alguém em especial. Outras vezes escrevo para mim, E ainda tem vezes que escrevo para todo mundo que queira ler. No final, são esses últimos o publico final de qualquer texto daqui, mesmo quando as palavras não são pra eles. Existe sempre a fantasia de que a mensagem vai chegar onde a gente quer que ela chegue, mas a realidade bate sempre deixando claro que isso não é possível. Então a gente finge que é pra poder chegar no final. Pra poder dizer o que a gente quer que o outro escute mesmo sabendo que isso não vai acontecer,

Pouco do que eu escrevo acaba publicado aqui no blog. Essa ideia de expor nossos pensamentos é bem contraditória no fim das contas. De um lado existe a vergonha da exposição, sempre existe. Por isso tem muita coisa guardada nos rascunhos da vida. Do outro lado existe essa vontade de mostrar um ponto de vista, de dizer alguma coisa que ficou guardada e esperar, no sentido der ter esperança mesmo, que alguém vai ouvir e se importar. Eu não sou muito fã de monólogos, mas quando o diálogo não é mais possível, a gente apela para o que é. E é tão ruim falar sem saber se está sendo ouvido, mas pior ainda é não poder nem falar. Então a gente usa as armas que tem e espera. E fantasia que em algum momento a mensagem chegou.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sobre esperança

Esperança é uma coisa boba, mas sem ela a vida fica muito mais difícil. Eu não falo daquela esperança de coisas impossíveis acontecerem, falo das pequenas coisas do dia a dia. Coisas que podem ou não acontecer mais que nós sempre esperamos que aconteça como queremos. Coisas que não dependem de nós, mas torcemos para que os outros escolham como nós escolheríamos. Não é fácil ter esperança. Estatisticamente as suas possibilidades são 50/50 e na vida real as coisas podem pender muito mais para o lado oposto sem nenhum motivo. Mas a esperança é assim, cega, só acredita que no final tudo vai dar certo.

A esperança é também um pouco de ingenuidade. Um pouco não, bastante. Por que quem costuma ter esperança acredita que existe algum motivo especial para que a sua vontade seja feita e não existe nada mais ingênuo no mundo do que achar que os seus motivos são mais especiais que os do outro. Mas existe o lado bom da ingenuidade, que é a falta de maldade. Isso é perigoso mas também é o que nos faz aproveitar mais a vida. A parte ruim é que nós sofremos mais pq a maldade existe e muito e quando nos confrontamos com ela sem esperar, isso machuca.

Seguir tendo esperança as vezes é escolha, as vezes é condição de vida. Tem gente que não consegue ter esperança, eu não consigo não ter, Eu acho que vai dar tudo certo sempre, que a vida é bela, que o mundo tem cheiro de chiclete, que as pessoas são essencialmente boas, que dias melhores virão. Tem dias que é mais difícil pq decepção a gente sempre tem. Na verdade, é o que a gente mais tem. Em relação a outras pessoas, a fatos e situações. O truque é não permitir que as decepções destruam a esperança. A esperança é resiliente. A esperança é flexível. A esperança é a última que morre.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre acreditar

- No que você acredita?
- Não sei... Não acredito em nada e acredito em tudo.
- Mas como assim? Como você consegue explicar tudo ao seu redor?
- Eu nem tento, simplesmente aceito que tudo existe.
- Fácil assim? Você não duvida de nada?
- Eu duvido de tudo, sempre.
- Não tô entendendo então...
- Para de tentar que você acaba entendendo uma hora.
- Você acredita nisso?
- As vezes.
- Pq as vezes?
- Pq tem gente que não consegue parar de tentar entender.
- E você consegue parar de tentar entender as coisas?
- Em determinados momentos, mas não é fácil. O problema é que eu quero entender tudo.
- E aí, o que você faz?
- Eu espero.
- Espera o que?
- Espero minha cabeça ficar bem cansada de tentar entender e desistir.
- Pq desistir?
- Pq quando eu desisto de entender é quando eu compreendo tudo.
- E aí fica tudo explicado?
- Eu não falei sobre explicação em momento nenhum, falei de compreensão...
- Mas você não acha que pra entender as coisas elas precisam de alguma explicação?
- Não.
- Pq não?
- Pq se fosse assim a gente nunca ia entender nada. Se a gente procurar explicação pra tudo acaba muito frustrado.
- Então como você faz? Pára de tentar explicar e a explicação vem?
- Hahahahaha. Queria que fosse fácil assim.
- Mas eu estou usando a sua lógica...
- Pra explicação não serve.
- Pq?
- Pq tem muita coisa que não tem explicação.
- E o que vc faz quando não consegue explicar alguma coisa?
- Eu aceito que aquilo não tem explicação.
- Fácil assim?
- Não, nunca é fácil, mas a gente acaba entendendo isso.
- E se não entende?
- A gente sofre muito.
- Mas tem escolha?
- O sofrimento? Mais ou menos...
- Pq mais ou menos?
- Pq você não escolhe se vai sofrer, mas escolhe como vai lidar com tudo que gera esse sofrimento.
- Como assim?
- O sofrimento existe, está lá. As vezes não tem explicação, as vezes tem. Você pode procurar a explicação ou entender os fatos. Aceitar que nem sempre a gente sabe pq tudo acontece como acontece. A gente aceita e pronto, aí o sofrimento melhora, vc aprende a conviver com ele e ele vira mais uma característica sua. É como a felicidade, ou o amor...
- Agora eu fiquei perdido...
- Você procura explicação pra sua felicidade?
- ... não ...
- Ninguém procura, não de verdade. A gente aceita pq é bom.
- Tá.
- Vc procura explicação pro amor?
- Também não...
- Pq é uma coisa boa, você aceita que ele existe e pronto. A gente só quer explicar o que é ruim, como se as coisas ruins precisassem de explicação e as boas não.
- Então você acredita na felicidade?
- Acredito.
- E no sofrimento também?
- Também.
- E no amor.
- Claro!
- Então você acredita em tudo?
- Não é bem assim, lá vem você tirando suas conclusões...
- Mas foi você quem falou!
- Tudo é muita coisa, eu acredito em um monte de coisas mas não em tudo.
- Você disse no início da conversa que não acreditava em nada.
- Mas também disse que acreditava em tudo.
- E agora não acredita mais?
- Continuo acreditando em nada e em tudo.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Eu sigo procurando explicações. Explicações para o inexplicável, respostas para todas as perguntas, motivo para o acaso. Irracional? Pode ser.

E eu sigo procurando sinais. Sinais que me mostrem por onde ir, o que fazer. Orientações que me deixem mais tranquila para fingir que eu tenho controle sobre alguma coisa. Loucura? Certamente.

E a vida segue sem explicações, sem sinais, cheia de surpresas, ora boas ora ruins. E a gente segue sem saber o que vai acontecer no próximo minuto, no próximo segundo. Pq tudo pode mudar num piscar de olhos, a vida pode virar do avesso de uma hora pra outra. E cabe a nós, não controlar o que está por vir, não explicar o que aconteceu, mas lidar da melhor maneira possível com cada novidade que a vida traz.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Talvez

Talvez pra se achar a gente deva se perder. Talvez as coisas vistas de fora façam mais sentido. Talvez tudo aconteça por um motivo e o caos seja apenas uma cortina para a ordem do universo. Talvez tudo melhore mesmo em algum momento. Talvez a vida deva ser vivida várias vezes até que a gente aprenda e possa pedir pra sair. Talvez um dia a gente entenda porque tudo tem que ser tão difícil Talvez das dificuldades venha a aprendizagem. Talvez em algum momento a gente encontre a leveza que a vida já teve um dia. Talvez as mudanças aconteçam por um motivo maior. Talvez a gente só precise esperar passar. Ou talvez a gente tenha que fazer alguma coisa pra que tudo passe. Talvez exista outro lugar onde a vida seja melhor. Talvez não existam fins, mas recomeços. Talvez a gente só precise mesmo aprender a lidar como tudo que está fora do lugar até perceber que a falta de sentido é apenas um novo sentido pra tudo.